No Brasil, o milho era cultivado pelos indígenas muitos séculos antes da chegada dos portugueses. A presença do colonizador aumentou o consumo desse grão, tornando o milho parte dos hábitos alimentares da população brasileira. A culinária portuguesa acrescentou leite, açúcar e canela ao milho indígena, surgindo dessa combinação a canjica e o curau tão conhecidos dos brasileiros. A palavra curau é de origem incerta, mas o doce de milho fresco, que leva esse nome, é dos mais tradicionais da doçaria nacional. Aliás, o nome do doce varia de Norte a Sul do Brasil: curau, mingau, mingau de milho, mingau de milho verde, papa de milho.
A receita abaixo está na minha família há quatro décadas, pelo menos. É uma receita simples e muito saborosa. Variei no formato, pondo o curau numa forma antiaderente de pudim. O resultado ficou muito bonito, como aparece na foto. Achei tão bonito, que fiquei com dó de polvilhar canela. Fiz esse curau em companhia de minha mãe, que me ensinou todas as etapas de preparação.
- espigas de milho verde
- açúcar
- água ou leite
- canela em pó
Descasque, limpe e lave bem as espigas de milho verde. Antigamente, as doceiras e as donas-de-casa ralavam o milho. Hoje, porém, existe uma maneira mais fácil de fazer o doce: retire os grãos de milho com a faca, com a espiga na posição vertical, como se fosse descascar abacaxi, tomando o cuidado de não raspar o bagaço. Bata o milho no liquidificador, com água ou leite. Passe duas vezes a mistura na peneira. Se o líquido ficar muito grosso, acrescente mais água ou leite, conforme sua escolha. Junte o açúcar. Leve a mistura ao fogo e mexa sem parar, até ferver. O curau empelota no início da fervura. Continue mexendo alguns minutos, até o doce ficar completamente cozido e liso. Retire o curau do fogo, coloque-o num pirex e polvilhe canela em pó. Minha família sempre consumiu gelado esse doce, que endurece e pode ser cortado em pedaços.

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